quarta-feira, 19 de agosto de 2009

CRIANÇA SOFREU... MAS VALEU A PENA.


Olá a todos.

Então foi assim...

Desde bébé que tenho feito a minha travessia do deserto.
Perdi minha mãe tinha eu poucos anos de vida e meu pai quando andava na 2º CLASSE (PRIMÁRIA).
Então, minha família decidiu levar-me para casa da minha avó materna.
Mais tarde, meu pai resolveu casar 2ª vez e levar-me para junto dele.
Aí, matriculou-me na escola da aldeia que distava alguns quilómetros da então vila
de Torres Novas.
Mas, em vez de ir para a dita escola, punha-me a caminho de Torres Novas e apresentava-me à minha professora que desde a 1ª classe me acompanhava.
Não houve outra solução senão transferirem-me para a escola da vila.

Passemos alguns anos...

Consciente que tinha de ajudar a minha avó, tudo o que eu pudesse fazer, lá estava.
Não tinha férias escolares. Ia à procura de trabalho, fosse apanhar figos, pastar ovelhas, regar hortas, andar à frente dos bois na lavoura, apanhar azeitona, isto com os meus 10, 11 anos.

Passemos mais alguns anos...

Acabada a escola primária, e como já podia trabalhar (oficialmente), o meu padrinho de baptizado levou-me para a construção civil com 14 anos.
Nessa altura construiam-se as Escolas Primárias de Torres Novas, onde estava a dar serventia.
Numa das visitas do fornecedor das carpintarias à dita escola, o meu padrinho pediu-lhe se me dava lá emprego.
Foi dito e feito. No outro dia de manã, lá estava eu ao portão.
Não me deram trabalho leve. Tive de acarretar muita madeira ao ombro.
Mas as coisa tinham de mudar. E mudaram
Com a abertura da nova Escola Industrial e Comercial de Torres Novas, resolvi matricular-me. Que aquela não era vida para mim nem a queria como futuro.
Então veio a minha oportunidade. O patrão pediu a todos os que estudavam à noite, que entregassem as notas nos escritório.
Como me tinha entregue de corpo e alma ao estudo, lá estava a minha chance. Dois dias depois estava a trabalhar como escriturário.
Lá estive 30 anos, até que resolvi sair para me dedicar à publicidade e marketing.

Hoje, olho para trás, e vejo como foi benéfica aquela (azáfama), que me ajudou a crescer com responsabilidade.

AVÓ, que estás AÍ EM CIMA, OBRIGADO.


E... MUITOS BEIJINHOS.

1 comentário:

Cristina Simões disse...

é tão bom conhecer essas HISTÓRIAS.RELATOS DE UMA VIDA ...
OBRIGADO POR PARTILHAR.
ABRAÇOS